RN:
Incra conclui primeira etapa da regularização das Comunidades Quilombolas
Aroeira e Pavilhão ________________________________________ Publicado dia
13/02/2015 A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária no Rio Grande do Norte (Incra/RN) concluiu a primeira etapa da
regularização das comunidades quilombolas Aroeira, no município de Pedro
Avelino,
O RTID é composto pelo
Relatório Antropológico, que aponta os aspectos históricos e socioculturais da
comunidade e é a peça técnica principal para o início da regularização dos
territórios remanescentes de quilombos, pelo Laudo Agronômico e pelo Memorial
Descritivo da área.
Com a publicação dos relatórios
no Diário Oficial da União, já estão sendo contatados outros órgãos, como o
Iphan, o Ibama, a Secretaria do Patrimônio da União, a Secretaria Executiva do
Conselho de Defesa Nacional, a Fundação Cultural Palmares e a Funai, a fim de
se verificar a possibilidade de regularizar as áreas como territórios ocupados
por remanescentes de comunidades de quilombo.
Família, Tradição e Cultura
De acordo com o Serviço de
Regularização de Territórios Quilombolas do Incra/RN, o trabalho de campo
realizado nas comunidades para a elaboração do Relatório Antropológico
identificou várias tradições mantidas há gerações pelas famílias.
Na comunidade quilombola
Aroeira, no município de Pedro Avelino, na região central do estado, a cerca de
158 quilômetros de Natal, que tem origem no século XIX, há um histórico comum
de ocupação da área de aproximadamente 530 hectares reivindicada pelas 37
famílias, que possuem fortes laços de parentesco.
A história da comunidade
Pavilhão, em Bom Jesus, no agreste potiguar, a 46 quilômetros da capital, começa
no século XIX, na região de engenhos do município de Macaíba. A comunidade, com
23 famílias, reivindica cerca de 52 hectares e é derivada da Comunidade
Quilombola de Capoeiras, com a qual tem forte relação de parentesco e
compartilha a manifestação cultural afrobrasileira "Dança do Pau
Furado".
Processo de Regularização
As comunidades quilombolas são
grupos étnicos predominantemente constituídos pela população negra rural ou
urbana, que se auto definem a partir das relações com a terra, o parentesco, o
território, a ancestralidade, as tradições e práticas culturais próprias.
Estima-se que em todo o País existam mais de três mil comunidades quilombolas.
Para terem seus territórios
regularizados, as comunidades quilombolas devem encaminhar uma declaração na
qual se identificam como comunidade remanescente de quilombo à Fundação
Cultural Palmares, que expedirá uma Certidão de Autor reconhecimento em nome da
mesma. Devem ainda encaminhar à Superintendência Regional do Incra uma
solicitação formal de abertura dos procedimentos administrativos visando à
regularização.
A regularização do território
tem início com um estudo da área, a elaboração de um Relatório Técnico que
identifica e delimita o território da comunidade. Uma vez aprovado este
relatório, o Incra publica uma portaria de reconhecimento que declara os
limites do território quilombola. A fase final do procedimento corresponde à
regularização fundiária, com a retirada de ocupantes não quilombolas através de
desapropriação e/ou pagamento das benfeitorias e a demarcação do território.
Ao final do processo, é
concedido um título coletivo de propriedade à comunidade em nome da associação
dos moradores da área e feito seu registro no cartório de imóveis. Atualmente,
existem 19 processos de regularização de territórios quilombolas abertos no
Incra/RN.
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