
Bibi
Ferreira morreu em sua casa no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio. Foto:
Márcio Alves/Márcio Alves
A
atriz, cantora, compositora e diretora Bibi Ferreira morreu nesta quarta-feira,
aos 96 anos, do coração. A notícia foi confirmada pela filha da cantora, Tina
Ferreira.
Bibi
Ferrera era filha do ator e empresário teatral Procópio Ferreira com a
bailarina argentina Abgail
Izquierdo.
Bibi
Ferreira nasceu num tempo em que ser ator não era status social aceitável nem
sequer profissão regulamentada. Mas por ser filha de quem foi — da bailarina
espanhola Aída Izquierdo e do ator Procópio Ferreira, um dos responsáveis pela
profissionalização do ofício no país —, Bibi viveu e contribuiu para a passagem
do então sub-ofício a uma profissão capaz de transformar artistas em semideuses
da cena, em divindades vivas. E Bibi se tornou uma delas; ou melhor: a maior
delas. Atuou com firmeza até os seus 96 anos, como um mito vivo, em atividade,
e com plena consciência do que fez e do que ainda gostaria de ter feito:
—
Eu tenho consciência de tudo o que eu fiz, tudo — disse em entrevista ao GLOBO,
em janeiro de 2018. — Embora tenha começado profissionalmente com meu pai,
entre 18 e 19 anos, lembro de dançar no Municipal do Rio, com 6 anos, de fazer
o filme “Cidade mulher” (de Humberto Mauro) quando tinha 13, de ser ensaiada
pelo Noel Rosa… Então são quase 90 anos no palco. E continuo fazendo.
E
quando lhe perguntavam sobre aposentadoria, Bibi respondia:
—
Eu me aposentar? Olha bem! Não penso nisso por três razões: estou muito bem, ia
ficar tudo muito triste, e preciso trabalhar — disse ao completar 90 anos.
Apelidada
de Bibi, Abigail Izquierdo Ferreira teria nascido em 1º de junho de 1922, no
Rio, porém duas datas aparecem como referência de seu nascimento: seu pai
falava em 4 de junho, e na certidão de nascimento consta 10 de junho. A atriz,
por também não saber a data ao certo, passou a comemorar seu aniversário a cada
dia 1º.
Seus
pais, tios e avós viveram profundamente ligados ao circo e ao teatro. E foi no
picadeiro familiar dos Irmãos Queirolo que Bibi surgiu pela primeira vez em
cena, aos 24 dias, nos braços da madrinha, a atriz Abigail Maia, substituindo
uma boneca de pano que havia sido perdida e que era utilizada numa cena da peça
“Manhãs de sol”, de Oduvaldo Vianna, pai do também dramaturgo Oduvaldo Vianna
Filho. Depois, aos 3, Bibi passou a animar os entreatos das peças da Companhia
Velasco, que sua mãe integrava depois de se separar de Procópio. Após uma
infância marcada por estudos de ópera, piano e violino, tendo participado do
Corpo de Baile do Municipal dos 7 aos 14 anos, Bibi faz sua estreia
profissional junto ao pai, em 1941, quando, aos 18 anos, atuou em “La
Locandiera”, de Carlo Goldoni.
Sempre
precoce, no ano seguinte montou a sua própria companhia, que absorveu grandes
nomes do teatro, como as atrizes Cacilda Becker e Maria Della Costa, além da
diretora francesa Henriette Morineau, influência que levou Bibi a se tornar uma
das primeiras mulheres a dirigir teatro no país — em sua estreia na função, ela
guiou o próprio pai em cena, na peça “Fizemos divórcio” (1947), um sucesso
estrondoso.
Extra
– O Globo
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Grande atriz e uma mulher culta demais
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