sábado, 17 de agosto de 2013

Meliponicultura garante fonte de renda extra para trabalhadoras rurais

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Wilson Moreno
 
  Cuidados com o meliponário são diários, mas não exigem muito das mulheres
O Projeto Padre Huberto Bruening leva o nome do homem que veio de Santa Catarina e foi pioneiro no estudo e conservação da abelha jandaíra na região de Mossoró. O gestor do projeto, Paulo Menezes, lembra que a ideia principal foi a conservação da espécie que é nativa da região e estava em risco de ser extinta.
Agregado a esse propósito está a vontade de ajudar as mulheres do campo. São as elas as responsáveis pelo manejo da abelha jandaíra no projeto realizado em parceria pela Prefeitura Municipal de Mossoró e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

Paulo Menezes lembra que a ideia começou a dar os primeiros passos em 2007, com a participação de cinco famílias. Depois foi crescendo a cada ano e hoje atende 25 famílias em 25 assentamentos e comunidades rurais de Mossoró. Paulo cita cinco fatores principais do projeto: a reintrodução da jandaíra na zona rural como forma de preservação da espécie; levar uma atividade para o campo, principalmente para as mulheres; levar renda para a zona rural; preservar a vegetação nativa da região e o meio ambiente e incentivar a fixação do homem no campo. “A jandaíra é importante para o semi-árido”, destaca.
Paulo enfatiza também a questão do termo usado. Como a jandaíra é uma abelha sem ferrão, cientificamente nomeada como Melipona, a cultura chama-se meliponicultura e não apicultura. Este segundo termo é utilizado para o cultivo das abelhas com ferrão, como a italiana. “Por não possuir ferrão, o manejo é mais simples e pode ser feito por mulheres em casa mesmo”, explica.
No assentamento Espinheirinho, a meliponicultura é realizada por quatro mulheres que se revezam diariamente nos cuidados ao meliponário (o apiário das abelhas sem ferrão) que fica na casa de uma integrante do grupo, Noilda das Neves.
Ela fala que esse ano a produção foi pequena devido aos dois anos seguidos de seca e tem esperança que as coisas melhorem no próximo ano. “Quando o inverno é bom, a gente colhe umas três vezes ao ano. Cada colheita dá em torno de 10 litros de mel. Na última colheita, conseguimos apenas cinco litros, mesmo assim vale a pena”, fala.
O litro do mel da abelha jandaíra é vendido por cerca de R$ 100,00. O dinheiro arrecadado com a venda do produto é divido entre o grupo.
De acordo com o Secretário do Desenvolvimento Rural, Betinho Rosado Segundo, cada meliponário atende a 10 mulheres do projeto. A meliponicultora Lúcia Paes, explica que algumas mulheres do grupo ficaram desmotivadas por causa do período de seca, mas fala que outras já estão sendo cotadas para participar do projeto.
A produção ainda não tem comprador fixo, mesmo assim as meliponicultoras do assentamento Espinheirinho garantem que quando acontece a venda, o dinheiro chega em boa hora e ajuda muito. “Nós vendemos para os vizinhos e familiares mesmo. Como tem gente que acha caro, a gente demora a vender tudo. Ainda tenho dois litros aqui da última colheita. Muitas pessoas procuram o mel da jandaíra para tratar problemas de saúde. Tem um médico que sempre indica aos pacientes com problemas na garganta. As pessoas que procuram aqui sabem que o nosso produto é bom e puro”, diz Noilda.
Para ajudar a atestar a boa qualidade do mel e garantir mais vendas para as produtoras, Betinho Rosado conta que já foi encaminhado o pedido do selo de inspeção do município e que em breve deverá sair. O secretário diz ainda que está sendo estudada a implantação de mais cinco meliponários que devem atender a mais dez mulheres em assentamentos rurais. Até agora, a prefeitura investiu R$ 20 mil no projeto. Já o Sebrae entra com a parte de consultoria e capacitação.
As produtoras de Espinheirinho explicam que também precisam que seja perfurado um poço e que isso já foi prometido por Betinho. Lúcia Paes diz que este poço ajudaria de duas formas. Primeiro, a água serviria para regar a horta que elas cultivam no quintal de casa mesmo. Essa mesma plantação e a água do poço podem ajudar a aumentar a produção de mel, já que a horta teria a fonte de alimentação das abelhas, a flor, para conseguir atravessar o período de estiagem. “Para passar por esse período de seca, tivemos que alimentar as abelhas à base de água com açúcar, porque não havia flores”, diz.
A colheita do mel é realizada com ajuda de uma seringa e todos os dias é necessário cuidar para manter outros insetos longe das abelhas, inclusive as de outra espécie como a italiana. Predadores também devem ficar longe. “Não dá trabalho nenhum e ainda nos ajuda muito. Seria muito bom que ampliasse”, diz Noilda.

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