Algumas coisas eu me lembro como se tivessem acontecido hoje,
porém ocorreram, na verdade, no ano de 1970. Algumas residências possuíam
rádio. Para ouvir músicas ou notícias surgiram os rádios a pilha que tinham a
caixa de madeira, um compartimento atrás para a colocação das pilhas e, na
parte da frente, um tipo de visor que chamavam de “olho mágico”, que servia
para sintonizar as emissoras
preferidas, os imensos rádios de mesa. O rádio era
sempre colocado em cima de um móvel na sala das residências e, às vezes,
coberto com uma capa de tecido com bordados. Em cima dele costumava-se colocar
um gato ou um cachorro de louça, depois chegaram os rádios menores, que as
pessoas locomoviam para vários lugares, inclusive os campos de futebol
Certa vez chegou à cidade, em 1971, uma pessoa por nome Geraldo
Mata, de Lajes, que entendeu juntamente com outras pessoas, colocar uma antena
de TV no pico do Cabugi, um local considerado um dos pontos mais altos do
Estado. O aparelho de TV que receberia o tal sinal foi colocado na residência
de José Teodoro. À tarde, a frente da casa ficou cheia de gente e quando
ligaram o aparelho, começou a aparecer na tela um amontoado de chuvisco e todos
começaram a bater palmas dizendo:
– Legal! O sinal chegou!
Outros diziam:
– Isto aí é o que chamam de televisão? Não achei graça nenhuma.
Só sei dizer que a frustração foi total de alguns, depois
ocorreram novas tentativas. O sinal melhorou. O canal era a TV Tupi, no auge da
audiência em todos os segmentos. A televisão era ABC a voz de ouro, que mais
parecia um baú: Colorado RQ; Telefunken, Philco e outras marcas.
O detalhe é que pagava-se um certo valor a Geraldo Mata para a
manutenção da antena no Cabugi. As antenas em cima de casa eram verdadeiras
geringonças, com vários elementos, na qual alguém subia constantemente para
girá-las para melhorar a imagem. Outra pessoa ficava dentro de casa girando uma
peça de seletor de canal e sintonia para diminuir o 'chuvisco', isso em preto e
branco. Dia de chuva saia do ar.
As primeiras residências a terem televisão em Pedro Avelino
foram as de José Teodoro, José Soares, Zelito Calaça, Ranulfo Costa, Antônio
Rufino, Dodô Ernesto e outros que não me lembro. As casas dessas figuras eram
verdadeiros cinemas. Pessoas amontoadas nas salas, tarde e noite. Imagine na
hora de Tarzan, A Feiticeira, Perdidos no Espaço, Daniel Boone, filmes faroeste
e desenho animado, além das famosas novelas à noite como Simplesmente Maria,
Hospital e Meu Pé de Laranja Lima.
Época que a programação era inocente e não existia banalismo e
nem pornografia.

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