06/06/1927 DATA NATALÍCIA DE ZELITO CALAÇA
COMBATENDO O BOM COMBATE
Por João Bosco
Às vezes as palavras são minguadas diante do brilho e da
grandeza de determinadas pessoas. Quero destacar a figura do nosso 'médico' dos
pobres, carinhosamente batizado,
Zelito Calaça. Oriundo de Angicos, chegando em
nossa terra ,muito jovem, em 1956, enamorou e casou com Marieta Carneiro,
diplomada pela Escola Doméstica, filha do líder político e agricultor José
Carneiro Filho. No entanto, o que mais havia de necessidade em nosso meio, que
era um farmacêutico, chegou esse paladino. Tendo herdado do seu pai, Dr Calaça,
a profissão de dentista e, depois, de farmacêutico, estabeleceu-se com uma
farmácia no centro da cidade.
Aí inicia-se uma trajetória para o bem comum. Era
dentista e fez muitas extrações e obturações, além de muitas chapas. Engessou
muitos braços e clavículas, fez pequenas cirurgias. Não conhecemos nenhum
pediatra que acertasse no feliz diagnóstico do que Zelito, e a pessoa ainda
levava o remédio tendo ou não o dinheiro. Menino engasgado com espinha de
peixe, caroço de algodão ou de milho no ouvido ou no nariz em estado febril com
inflamação. Calaça, com pinça cirúrgica e uma pequena lanterna, retirava esses
corpos estranhos e o pai da criança ainda levava o antibiótico de graça ou
fiado.
Não tardou com o seu estilo ímpar para conquistar as massas
e, depois, as outras camadas sociais. Em poucos anos da sua chegada, era a
maior liderança popular do município, o que lhe valeu o direito de concorrer ao
poder executivo em 1962 e, como vice-prefeito em 1968 e 1988. Não tendo logrado
êxito, não desistiu de servir ao próximo.
Recordo-me que, ao perder as eleições para prefeito em
1962, à noite, em sua casa estava analisando porque não havia conseguido
vencer. A sua casa estava repleta de amigos, familiares e correligionários,
quando chega um cidadão montado num cavalo e com a voz embargada exclamou: -Dr
Zelito, vamos até lá em casa, pois a minha mulher está morrendo com uma dor
muito forte.-Zelito disse: vamos agora! Foi à zona rural e curou aquela mãe de
família, sem preocupar-se com o radicalismo político. As pessoas ficaram
atônitas com aquele gesto tão nobre e tão raro. Os companheiros ficaram
pasmados porque aquele cidadão ostentava em sua casa a maior bandeira hasteada
do seu adversário. Alguns colegas resmungaram para Calaça não ir. Todavia foi socorrer
àquela mãe de família, que quando terminou a visita, o homem com os olhos
lacrimejando murmurou:-Dr Zelito, eu não tenho com que lhe pague. Calaça
respondeu:-Passe amanhã na minha farmácia que eu vou lhe dar mais medicamento
para ela, além do que havia levado.
Vale lembrar que a sua casa era o ponto de encontro de
elite intelectual de Pedro Avelino. Ali vi, muitas vezes, Dr Luís Carlos
Guimarães, imortal e poeta, além de juiz; Dr Gilberto Avelino, advogado,
imortal e poeta; Dr Zenon, agente do IBGE; Dr Jarbas Martins, promotor e poeta;
médicos Dr Pablo Quintela, Dr Juan Rivas Zambrana, Dr Mauro Carmelo, Dr José
Martins, Dr Levi, juiz de direito e outros mais. Alguns chegaram a residir na
sua casa.
Vereadores, estudantes, visitantes, viajantes sempre
tiveram na pessoa de Zelito um ponto de referência. Assim passaram os anos e,
um dia, o povo o fez o vereador mais votado e em seguida ele foi eleito
presidente do poder legislativo municipal.
Afirmo que, não há nenhuma casa ou família de Pedro
Avelino que não deva à presteza e à cura com o poder de Deus, efetuadas pelas
mãos de Zelito Calaça, o Januário Cicco de Pedro Avelino.
João Bosco da Silva, professor e poeta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários serão avaliados antes de serem liberados